A definição de limites da crença como tema de meu Trabalho de Conclusão de Curso, na Faculdade de Psicologia, vem de várias lembranças. Desde o meu tempo de criança até minha vida profissional na comunicação, na pedagogia e consultoria com o 5S, da Qualidade no Estilo Japonês.

Para que o 5S seja aceito em escolas, foi preciso adaptar seus conceitos aos limites de crença de o que se faz na educação. Em parte, porque os exemplos que os consultores tinham de sucesso com o 5S eram de empresas, da relação de pessoas com máquinas.

Nas escolas, o desafio é principalmente a relação de pessoas com pessoas. Nessa relação entre pessoas, havia uma particularidade da cultura japonesa bem diferente da nossa aqui no Brasil.

A gestão para a qualidade que veio do Japão valoriza o cliente, até dizendo que o cliente é rei. No Japão, considerar o cliente como rei lhe dá bastante importância, já que, no Japão, o rei é venerado. No Brasil, a figura do rei passou por outros significados. Durante o período colonial, o rei de Portugal nos dominava.

Sobre a escola, consultores consideram que deveriam considerar o professor como fornecedor e os alunos como clientes. Portanto, em uma sala aula de 40 alunos, seriam 40 reis sendo atendidos por um súdito, o professor. Sendo alunos que conhecem a história da exploração colonial, podem se sentir no direito de dominar o professor.

Esse detalhe, entre outros, dificultou o engajamento de professores na prática da qualidade no estilo japonês.

Em meus materiais didáticos sobre 5S, não usei esse entendimento hierárquico de cliente como rei e fornecedor como súdito. Eu já não tinha simpatia com essa relação de poder, graças a ensinamento de Paulo Freire, que aprendi na Faculdade de Comunicação, nos anos 1970.

Paulo Freire recomenda relação horizontal entre alunos e professores. O aluno é estimulado a desenvolver pensamento crítico sobre sua realidade e a criar soluções para superar seus desafios. O professor também se desenvolve nessa relação. É relação em que todos aprendem.

Assim, em minhas publicações, crianças, adolescentes e trabalhadores são protagonistas, na melhoria do próprio jeito de ser e agir.

A gestão para a qualidade do Japão foi adaptada no Brasil. Não mudamos sua essência. Mudamos nos limites, retirando o que não é acreditável em nossa cultura e acrescentando nossa pedagogia.

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